Este blog tem por finalidade (ou pretende) servir de apoio na formação continuada dos professores de Sala de Leitura da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, com a presença de textos teóricos e pensamentos de estudiosos e/ou especialistas na área da leitura e da Literatura envolvendo as diferentes linguagens artísticas lidas na escola.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
NOVA VOTAÇÃO PARA A BIBLIOTECA DO PROFESSOR COMEÇA DIA 20
A segunda votação do ano, para a Biblioteca do Professor, começa na próxima quarta-feira, dia 20/04/11.
Cada professor poderá votar em dois livros que deseja ganhar, sendo um voto para cada categoria:
Literatura Brasileira e Literatura Estrangeira.
A votação acontecerá através dos sites: http://sme.rio.rj.gov.br/ (intranet) ou
http://www.rio.rj.gov.br/web/sme (internet).
O projeto Biblioteca do Professor faz parte do programa Rio, uma cidade de leitores e visa o incentivo
à leitura entre os professores da Rede Municipal.
Os livros selecionados para essa segunda etapa de votação são:
LITERATURA ESTRANGEIRA
1. O Enigma do Oito
Livro: O enigma do oito
Autor: Katherine Neville
Tradução:Elizabeth e Djalmir Mello
ISBN:978-85-325-2431-7
Páginas:680
Formato : 14x21cm
Editora: Rocco
Um tesouro escondido durante mais de mil anos é desenterrado na Abadia de Montglane, em 1790. Freiras e noviças espalham-se pela França para protegê-lo. O país vive uma revolução sangrenta, mas a batalha que as
aguarda promete perigos ainda maiores. Quase 200 anos depois, na virada de 1973, em Nova York, uma especialista em informática recebe o aviso de uma vidente: em breve ela estará envolvida em um jogo. A vidente
só não revela que o jogo foi iniciado dois séculos antes, quando o Xadrez de Montglane deixou a Abadia.
Os movimentos de cada personagem, como peças em um tabuleiro de xadrez, compõem a trama de O enigma do oito. Apesar do espaço entre as duas narrativas, o mistério que as envolve é apenas um. E tanto a noviça
Mireille, no século XVIII, quanto Catherine Vellis, em plena década de 1970, precisarão passar por provações e desvendar charadas para solucionar o enigma que envolve o lendário xadrez usado por Carlos Magno mais de mil
anos antes.
Cruzando eventos históricos e três continentes, O enigma do oito é uma intrincada trama de personagens que se movem como peões num tabuleiro. Napoleão, Robespierre, mercadores judeus, mestres russos do xadrez e
cientistas modernos estão interligados neste romance de suspense e magia, no qual cada reviravolta é uma jogada de mestre.
2. Água para elefantes
Livro: Água para elefantes
Autor: Sara Gruen
Tradução: Anna Olga de Barros Barreto
ISBN: 9788599296158
Páginas: 272
Formato: 16 x 23 cm
Editora: Sextante
Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoraS simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Durante 70 anos Jacob guardou um segredo: nunca
falou a ninguém sobre o período de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora. Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária, mas teve sua vida transformada após a morte de seus pais num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de fazer as
provas finais e, desesperado, acaba pulando em um trem em movimento, o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.
Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais.
É também sob as lonas que ele se apaixona duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August; e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do Circo.
3. A ilha sob o mar
Livro: A ilha sob o mar
Autor: Isabel Allende
Tradução: Ernani Ssó
ISBN: 8528614441
Páginas: 476
Formato: 16 x 23 cm
Editora: Bertrand Brasil
O romance narra a vida de Zarité, a escrava que foi vendida aos nove anos de idade para o francês Toulouse Valmorain, dono de uma das maiores plantações de cana-de-açúcar nas Antilhas. Como escrava doméstica, ela não padeceu as dores e as humilhações de seus iguais, mas conheceu as misérias de seus patrões, os brancos. Desde o começo o leitor sente a tensão frente à realidade da ilha e a severidade com que Zarité é obrigada a conviver. Ela torna-se concubina de Valmorain e é responsável por cuidar dos dois filhos do patrão: o legítimo, que teve com sua esposa espanhola, e o extra-oficial, que teve com a própria Zarité.
A Ilha sob o Mar é um livro apaixonante que começa por volta de 1770, poucos anos antes da revolução haitiana. Quando os escravos se rebelam e queimam as plantações da ilha, Valmorain, Zarité e as crianças conseguem fugir para Cuba, e depois se estabelecem numa nova fazenda em Nova Orleans, nos Estados Unidos.
4. A Sombra do Vento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradução: Márcia Ribas
ISBN: 8573026049
Páginas: 464
Formato: 16 x 23 cm
Editora: Suma
A Sombra do Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e
os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora,
comovente e impossível de largar. Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias.
Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma
madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona
como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, do também barcelonês Julián Carax.
A busca de Daniel marca sua transformação de menino em homem, e desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros e pelo poder que eles podem exercer. Ao ler A Sombra do Vento, o desejo que se tem é de, assim
como o menino Daniel, abrir as portas do Cemitério dos Livros Esquecidos e descobrir em seus infindáveis
corredores o livro que mudará nossas vidas.
5. Firmin
Livro: Firmin
Autor: Sam Savage
Tradução: Bernardo Ajzenberg
ISBN: 9788576653851
Páginas: 244
Formato: 14 x 21 cm
Editora: Planeta do Brasil
O rato Firmin, “morador ilegal, vagabundo, vadio, pedante, voyeur, roedor de livros, sonhador ridículo,mentiroso, charlatão e pervertido”, nasceu numa livraria em berço de ouro, isto é, sobre folhas picadas do livro
Finnegans Wake, de James Joyce. Desde a infância amante das fêmeas humanas, leitor voraz em todos os sentidos e frequentador assíduo de
um cinema que passava, ininterruptamente, musicais e westerns antigos e filmes pornográficos modernos, Firmin se imaginava Fred Astaire com sua Ginger Rogers e as deusas pornôs, vivendo os grandes dramas humanos que
encontrava nas páginas dos livros. Em um momento em Paris, sentindo a tristeza de uma tarde de chuva com Paul Verlaine, no momento
seguinte na Londres com o guia da peste Daniel Defoe, depois, na América, colocando Proust na balsa junto com Huck Finn e Jim, Firmin viveu a beleza e a força da imaginação. Mas ele continuava um rato. Tenta desesperadamente comunicar-se com os homens, mostrar como se identificava com eles, mas o que fazer se a natureza não o dotou com os requisitos mínimos para a comunicação humana?
Esta belíssima fábula moderna, carregada de alegorias, humor e melancolia, fala sobre a solidão, o amor aos livros, o poder da literatura e os limites da nossa condição, de ratos e de homens.
LITERATURA BRASILEIRA
1. Grande sertão: veredas
Livro: Grande sertão: veredas
Autor: João Guimarães Rosa
ISBN: 8520912095
Páginas: 624
Formato:14 x 21 cm
Editora: Nova Fronteira
A estilização das peculiaridades das falas sertanejas, sempre recorrente na obra de Guimarães Rosa, atinge seu auge neste consagrado romance. Rosa reinventa a língua e eleva o sertão ao contexto da literatura universal,
compondo o cenário de uma narrativa lírica e épica, uma lição de luta e valorização do homem. Eleito um dos cem livros mais importantes de todos os tempos pelo Círculo do Livro da Noruega. Eleito um dos melhores livros do
século pela revista Época. Prêmio Jabuti de Produção Gráfica (menção honrosa) em 2002.
2. João do Rio – coleção Melhores Crônicas
Livro: João do Rio - Coleção Melhores Crônicas
Organizador: Edmundo Bouças e Fred Góes
ISBN: 9788526013292
Páginas: 328
Formato:14 x 21 cm
Editora: Global
Antologia de crônicas do inquieto João do Rio, personagem determinante na tentativa de alçar a crônica à categoria de gênero literário e, ao mesmo tempo, de história social, a partir da contínua mudança dos costumes e das ideias da época. Uma das características marcantes em sua escrita era a facilidade em adaptar e abarcar sua percepção ao mesmo ritmo das mudanças da sociedade.
3. Viva o povo brasileiro
Livro: Viva o povo brasileiro
Autor: João Ubaldo Ribeiro
ISBN: 9788539000043
Páginas: 792
Formato: 12x 17 cm
Editora: Ponto de Leitura
“Viva o povo brasileiro é uma celebração da língua e de seus inventores” (Geraldo Carneiro, poeta). Este romance de 1984 é um painel da formação do povo brasileiro. Através de diversos personagens minuciosamente construídos, Ubaldo vai, a cada página, montando o mosaico que estrutura nossa sociedade.
O livro se volta às origens do Recôncavo Baiano para recriar quase quatro séculos da história do país por meio da saga de múltiplos personagens. 'Viva o povo brasileiro' se desenvolve em grande parte no século XIX, mas também viaja a 1647 e avança até 1977. Nele, realidade e ficção se misturam para criar um épico brasileiro compassagens heróicas e cômicas, tendo como pano de fundo momentos decisivos para a história do país, como a Revolta de Canudos e a Guerra do Paraguai.
4. Canoas e marolas – Preguiça
Livro: Canoas e marolas - Preguiça
Autor: João Gilberto Noll
ISBN: 8573022620
Páginas: 108
Formato: 15 x 23 cm
Editora: Objetiva
Dos pecados capitais, a preguiça é aparentemente um dos mais inofensivos. Será mesmo? Não é a interpretação de João Gilberto Noll, um dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea. Em
CANOAS E MAROLAS, quinto volume da coleção Plenos Pecados, ele apresenta uma visão original e intrigante deste pecado _ a apatia surge como condição extremamente reveladora de nossa existência nos dias de hoje.
O escritor escolheu como cenário uma ilha. Uma ilha como tantas outras, com o cheiro acre do mar impregnando corpos e almas. Um lugar onde se alinhavam sonhos, rotinas, desesperos. Nesta ilha ancora um homem, que procura a filha que nunca chegou a conhecer _ Marta, conseqüência de um amor fugidio, sobre a qual sabe muito pouco. Apenas que é estudante de medicina e trabalha com doentes terminais. Neste texto denso e poético, escrito durante temporada numa praia isolada de Santa Catarina, Noll propõe uma metáfora do
desalento que inunda nossa época.
5 . Testemunho
Livro: Testemunho
Autor: Darcy Ribeiro
ISBN: 9788523012502
Páginas: 208
Formato: 16 x 23 cm
Editora: Apicuri
Reunião de textos retirados de revistas, entrevistas, e livros que Darcy reorganizou como peças de um jogo de armar. Darcy conta de sua formação intelectual, expõe as bases de seu pensamento, que deixava jorrar e
explodir em frases velozes quando falava, e, quando escrevia fazendo ecoar em cada frase sua paixão de arauto de uma fé desafiadora e urgente.
DICA PARA O PROJETO JOVENS LEITORES
Projeto oferece livros infantojuvenis pela internet
Alana Gandra, da Agência Brasil
Mais de 30 mil registros, o equivalente a 22 mil títulos, estão disponibilizados no site da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Fnlij) para consulta de pesquisadores, estudiosos e educadores, dentro do projeto Biblioteca Fnlij, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e Petrobras.A secretária-geral da fundação, Beth Serra, disse à Agência Brasil que o site da Biblioteca Fnlij é o único no país com esse tipo de informação. Ele reúne um acervo tão vasto de publicações dedicadas ao público infantojuvenil. O projeto contribui para subsidiar pesquisas e políticas culturais e educacionais de compra de livros.
Todas as publicações recebidas pela fundação estão à disposição dos interessados na Biblioteca Fnlij. Cerca de 1,2 mil títulos são recebidos pela entidade a cada ano.
A ferramenta visa a auxiliar também os pais e educadores na compra de livros para as crianças e jovens, de acordo com a sua faixa etária. “A ideia é essa. A biblioteca tem um atendimento para quem é pesquisador e, também, para os pais e professores e educadores em geral. Eles podem saber o que está sendo publicado no Brasil dentro do universo infantil”, disse.
As informações sobre o acervo são atualizadas automaticamente, afirmou Beth Serra. Elas incluem os títulos premiados pela fundação ao longo dos anos e, ainda, os livros que se encontram no mercado. “É um cardápio bastante variado para pais e professores que já consultam para comprar acervo, para orientar a leitura”, ressaltou a secretária-geral da Fnlij.
(Agência Brasil)
quarta-feira, 6 de abril de 2011
PASSO A PASSO DO TRABALHO REALIZADO NO ANO PASSADO NA 25 DE ABRIL
Solicitei ao Prof. João Paulo Bessa que enviasse a metodologia utilizada no trabalho de mediação da leitura no ano passado, as fotos estão em postagem anterior. Percebam que tem uma maneira peculiar de escrever e que sabe o que deseja desenvolver em seus alunos de maneira prazerosa e eficaz. Notem que utilizou a informática de maneira inovadora e sem perder o "bem mais precioso" que é o livro em seu trabalho. Vejam o que ele escreveu:
Antes de se fazer as atividades,proceder com a inscrição de todos os alunos num provedor de correio eletrônico e repositor de arquivos.
O indicado é o Gmail,por ter uma série de recursos necessários para as atividades:
Picasa - repositor de imagens
Gmail - provedor de mensagens e bate-papo instantâneo
Google Docs - Editor de texto
Esta etapa vai variar dependendo da quantidade de alunos e do acesso à internet.Deve durar 4 semanas, mais ou menos. No desenrolar, 'brincar' com os recursos necessários.
1ª parte
Escolha das obras
1º bimestre - Histórias em quadrinhos
2º bimestre - Livros
3º bimestre - Obras de arte (livros com obras de arte)
4º bimestre - Pluft, o fantasminha
A escolha das HQs,para o primeiro bimestre é para 'pescar' a criançada,pois é uma leitura mais fácil e que mais agrada.
O segundo bimestre,com os alunos já 'pescados',entram os livros,pois aí, os alunos já querem produzir melhores textos e, principalmente, imagens mais elaboradas.
No terceiro bimestre,imaginava uma parceria com uma professora de artes visuais,mas a intenção não seria comentar a obra de arte,mas sim criar uma história a partir da imagem escolhida.
Nota 10!!!!
No último bimestre,como havia um número suficiente do livro Pluft, o fantasminha, consegui o áudio da peça, ouvimos na sala de leitura e informática, e cada aluno ficou responsável por gravaruma folha (e não página) com as falas de um personagem qualquer, juntando-se em grupo, dependendo da quantidade de perseonagens daquela folha, frente e verso.
Show!!!!!
Como o ano terminou, não juntei as partes, mas foi o trabalho mais empolgante, pois, além de gravarmos no computador,gravaram também com seus celulares, pois me cansei de pedir que guardassem aquela máquina do capeta e mostrei que eles não conheciam nem a metade dos recursos
daquelas máquinas que tinha em mãos.Não sabiam que podiam gravar suas vozes, tampouco transmitir as gravações para outros celulares
e computadores. E fundamentalmente que sabiam ler e interpretar.
Uns mais, outros menos.
1ª aula - Escolha das obras
HQ's - livros - obras de arte
HQ's - livros - obras de arte
Local - sala de leitura
Dinâmica - Ler - manusear - pegar - trocar
Ao final da aula, devolver, não levar para casa.
Caso queira continuar a leitura, o aluno deverá voltar, por conta própria,
à sala de leitura, fazendo a ficha e procurando, novamente, a obra.
Razão - Fazer da visita à sala de leitura uma constante.
2ª aula - Montar 1ª parte do trabalho (parte externa) - Sala de Leitura
(uma semana depois)
Material - folha A4 - lápis coloridos - caneta - lápis preto (sem borracha - nem corretor) Se houver erro,o aluno tem que encontrar uma maneira de consertar
seu a utilização deste material, pois não será oferecida outra folha.
Deve-se, e pode-se, fazer um rascunho, a lápis.
Na folha de papel,dobrada ao centro, na forma horizontal,como se fosse um livro, na parte mais à direita, será produzida a capa do trabalho,onde aluno deve preencher, na parte superior com os dados da escola,do professor, data com localidade, ou melhor, o nosso cabeçalho diário.(As crianças odeiam esta parte) Mas é fundamental para saber algumas rotinas da escrita: letras maiúsculas em nomes próprios.
No mesmo lado, na parte inferior,preencher com o seu próprio nome e a turma.
Ao centro,o aluno pode preencher com um desenho qualquer, sem necessariamente ter a ver com o livro lido,podendo ser uma pichação ou uma estilização do próprio nome. (esta parte eles amam)
Na folha, na parte à esquerda,deve ser preenchida com a ficha catalográfica do livro,onde poderão ser encontradas as informações sobre o livro,tais como: nome do livro, autor, editora, local onde foi impresso,ano de impressão, ilustrador, etc.
3ª aula - 2ª parte do trabalho (Parte interna) - Sala de leitura
(duas semanas após a primeira aula,para dar tempo ao aluno ler a obra)
Virando a folha, na parte mais à esquerda, onde, no verso há a capa com o desenho produzido a livre vontadeo aluno deverá produzir uma outra figura,
só que agora, a figura deverá ter relação com o livro lido,obrigatoriamente.
Na parte mais à direita,onde no verso há o preenchimento da ficha catalográfica, o aluno deverá preencher um parecer(neste ano, uma carta)
com indicações sobre a leitura da obra,indicando se gostou,com sugestão para leitura ou não daquele livro,ou de outros existentes na sala de leitura.
Pronto!!!
Terminado, caso esteja pouco colorido,usar e abusar das cores.
Se houver imperfeições, as cores servirão para encobri-las.
4ª aula - Sala de informática(uma semana após)
Os alunos deverão proceder o escaneamento de suas imagens.Esta parte pode (deve) ser feita concomitantementecom a anterior,pois alguns alunos terminam mais cedo do que os outros.
5ª aula - Sala de informática (uma semana após)
Mediante um modelo em editor de texto,simulando a montagem do livro,
deverão inserir os dados escritos na folha distribuída ao aluno,que serviu como um rascunho,para que, ao usar o computador,seja direto pois o texto já está pronto.
6ª Aula - Sala de informática (Uma semana após)
Inserir as imagens e formatar seu livro,com fontes, cores ao seu gosto.
(Esta parte é enlouquecedora)
7ª aula - Sala de informática (Uma semana após)
Desde o escaneamento das imagens,as figuras são publicadas em um 'repositor' de arquivos,o Picasa, do Gmail é o indicado.
Cada aluno, com sua conta de email, deverá publicar seu trabalho no blog.
Esta parte pode variar.
Até conhecer os alunos,deixo poucos alunos responsáveispela publicação,para evitar que um espírito de porco venha bagunçar o coreto.
Geralmente, eu o faço em casa,pois o acesso nas escolas é algo irritante.
Em casa, levo menos de uma hora a publicação de 30, 40 trabalhos.
Como os alunos digitaram seus próprios trabalhos,basta apenas usar o copiar-colar e publicar no blog.Não corrijo os trabalhos.Vai do jeito que digitaram.Faz parte da tarefa.
Com os trabalhos publicados,os alunos deverão acessar o blog,
de casa ou da escola,nas semanas seguintes,fazendo comentários aos trabalhos dos colegas,indicando incorreções ortográficas, gramaticais,
textuais, de produção.Cada comentário vale pontuação em avaliações da escola.
DIVULGAÇÃO DO TRABALHO NA MARIO CLAUDIO
Os professores de Sala de Leitura são realmente maravilhosos! É só cutucar que colocam os projetos para andar...
Vejam o e-mail da Silvana da E.M. Mario Claudio, da 1ªCRE:
Vejam o e-mail da Silvana da E.M. Mario Claudio, da 1ªCRE:
Cara! Você é lindaaaaa! É isso aí! Lá na escola fizemos as coisas com estratégias. Ninguém se assustou (as PI e PII) Ninguém deu "piti"!!! kkkkk!
Tudo está caminhando...
Somos 3, mas eu sou a única PII da S.L. e estou em turma. Ai, ai! 

Tivemos contação na semana do Circo (euzinha com roupa de palhaça!). Teremos comemoração no dia 18/04. Emília, Narizinho e Pedrinho (marido de uma profª) vão "baixar" lá! Os profs. estão empenhados e "treinando" as atividades propostas com um texto único durante as aulas. Vou preparar um material com fotos: ACONTECEU NA MARIO CLAUDIO - 1º BIMESTRE.
Beijão!
Silvana Maida.

"ANDAR COM FÉ EU VOU..."
terça-feira, 5 de abril de 2011
DIVULGAÇÃO DE NOSSO TRABALHO
Amigas e amigos de Sala de leitura!
Se fomos jogadas para 2ª divisão no primeiro momento dessa gestão, hoje nós podemos reverter este quadro apresentando um trabalho de qualidade na mediação da leitura.
Tinhamos que substituir professores, e agora com esta demanda? Quem vai segurar o nosso trabalho?
Vamos mostrar o que fazemos com maestria e há muito tempo!
Teremos que trabalhar em parceria: professor regente, coordenação pedagógica e direção! O que sempre foi de nosso desejo!
Sempre fizemos empréstimos!
Sempre produzimos texto, trabalhando com os vários gêneros!
Conhecemos bem o nosso acervo, afinal já fizemos vários Censos, ele é todo registrado,organizado e catalogado!
Então porque estamos ou estão reclamando?
Eu fiquei muito assustada com as críticas ...
#não podemos ler todos os livros...
# em que tempo vamos corrigir os textos...
# meus alunos não sabem ler(cadê os livros de imagens?)etc.
Com estes argumentos estamos dando tiro no próprio pé!!!
Estamos disponibilizando no blog, algumas sugestões de atividades realizadas por professores da sala de leitura.
Convido a todas para divulgar o nosso trabalho no blog!
Enviem para o meu e-mail: fotos, atividades, modelos de fichas de leitura, etc.
Vamos lá.... FORÇA NA PERUCA!!!!
Se fomos jogadas para 2ª divisão no primeiro momento dessa gestão, hoje nós podemos reverter este quadro apresentando um trabalho de qualidade na mediação da leitura.
Tinhamos que substituir professores, e agora com esta demanda? Quem vai segurar o nosso trabalho?
Vamos mostrar o que fazemos com maestria e há muito tempo!
Teremos que trabalhar em parceria: professor regente, coordenação pedagógica e direção! O que sempre foi de nosso desejo!
Sempre fizemos empréstimos!
Sempre produzimos texto, trabalhando com os vários gêneros!
Conhecemos bem o nosso acervo, afinal já fizemos vários Censos, ele é todo registrado,organizado e catalogado!
Então porque estamos ou estão reclamando?
Eu fiquei muito assustada com as críticas ...
#não podemos ler todos os livros...
# em que tempo vamos corrigir os textos...
# meus alunos não sabem ler(cadê os livros de imagens?)etc.
Com estes argumentos estamos dando tiro no próprio pé!!!
Estamos disponibilizando no blog, algumas sugestões de atividades realizadas por professores da sala de leitura.
Convido a todas para divulgar o nosso trabalho no blog!
Enviem para o meu e-mail: fotos, atividades, modelos de fichas de leitura, etc.
Vamos lá.... FORÇA NA PERUCA!!!!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
BIBLIOTECA DO PROFESSOR
A Secretaria Municipal de Educação informa o resultado da votação da Biblioteca do Professor. O projeto Biblioteca do Professor faz parte do programa Rio, uma cidade de leitores e tem como objetivo incentivar a leitura literária entre os professores da rede municipal. Pelo programa, cada docente recebe dois livros por trimestre.
Os livros escolhidos para o primeiro trimestre deste ano foram:
Literatura Nacional:
1º Conversa sobre o tempo - Luíz Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura - Ed Agir
2º A educação pela pedra - João Cabral de Mello Neto - Ed. Alfaguara
Literatura Estrangeira:
1º Não há silêncio que não termine - Ingrid Betancourt - Cia da Letras
2º Pedra da paciência - Atiq Rahimi - Ed. Estação Liberdade
Falando em literatura e literatura contemporânea, vale a pena visitar sítio da Universidade de Brasília...
DIVULGAÇÃO DE TRABALHOS
No dia 01/04, a Catharina da Mídia realizou uma reunião com as Coordenadoras Pedagógicas e professores regentes da 3ªCRE para discutir a Prova de Produção de Textos que ocorrerá na rede. Nesta oportunidade, divulguei o endereço do Blog para divulgarmos as experiências que já estão acontecendo e que já aconteceram em nossa rede. Já publicamos o trabalho da Profª Ana Lúcia e do Prof. João Bessa. Vejam nas postagens anteriores.O objetivo deste blog é para divulgação de nosso trabalho lembram? Agora estamos esperando por vocês.
Beijos,
Regina karlasábado, 2 de abril de 2011
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL
"Celebramos hoje o dia Internacional da Literatura Infantil. Abril é o mês da comemoração do Natal das Letras, do Natal de Hans Christian Andersen, 02/04, do Natal de José Bento Monteiro Lobato, em 18/04, dia da Literatura Infantil Brasileira.
Dois mestres nascendo e renascendo no Berço-manjedoura da Literatura Infantil. Duas presenças soberanas tecendo o Natal arquetípico do imaginário da infância.
Hoje vamos conhecer um pouco da vida do dinamarques Hans Christian Andersen , autor de vários contos de fadas que marcaram gerações e gerações de leitores...Sua história bem poderia ser um conto de fadas, ingredientes não faltam".
Assim nos saúda e Professora e escritora Fátima Miguez.
Leiam uma poética biografia de Andersen acessando www.fatimamiguez.pro.br
e brindemos juntos a Literatura de todas as idades!
quinta-feira, 31 de março de 2011
Divulgando trabalho interessante realizado na Sala de Leitura 25 de abril.
Falando em aluno produtor na rede municipal do Rio, vale a pena conhecer um trabalho de parceria Língua Portuguesa/Sala de Leitura com breve relato do Professor João Paulo Besssa, grande mediador de leitura...
"Veja o que produzi com as minhas crionças do 8º ano
da EM 25 de Abril,
no ano passado.
Este ano,
estou repetindo a dose na EM Mozart Lago,
em OCruz e no CIEP MMFreire,
láááááááááááááááááááááááááá´
em Sepetibahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Acho que vai dar certo.
Na 25, foi legal,
mesmo com jovens sem muita noção de leitura,
de escrita,
de informática, ...
Mas, fizeram,
e na sala de leitura e na de informática.
Minha sorte é ter duas parceiraças na SLeitura da 25 de Abril.
Pude 'tocar' o maior horror nas duas salas
que elas aplaudiam, na boa.
Deixava as salas na maior zona e elas sorriam.
Não sei se me xingando,
mas sorriam."
Link do blog:
terça-feira, 29 de março de 2011
DECOMPONDO UMA BIBLIOTECA
Recebi de Anna Rodrigues e partilho com os leitores do TRAMAS.
"Para quem não leu no Prosa e Verso e principalmente para quem ama os livros e sabe como é difícil se desfazer deles, uma adorável crônica reflexiva sobre como abandonar seus queridos amigos de tantos anos."
Anna Rodrigues
Anna Rodrigues
Decompondo uma biblioteca
Alberto Mussa - 03/03/2010
Prosa & Verso - O Globo - 31/10/2009
Não sou capaz de dizer que obra ou que autor inoculou em mim o vício da leitura, porque nasci entre livros, milhares deles. Meu pai tinha estantes espalhadas por várias partes da casa, inclusive na garagem.
A presença da biblioteca, sua imponência concreta, material, sempre me impressionou. Por maiores que fossem minhas divergências com meu pai, eu sabia que aquele era o bem a ser legado. Em toda minha vida, creio que só não fui proibido de mexer nos livros. E isso, naqueles tempos severos, não era pouco. Obviamente, eu tinha títulos só meus, que ocupavam três ou quatro prateleiras: romances policiais e de terror, compartilhados com minha mãe, particularmente os da Agatha Christie; livros comprados em bancas de jornal, como a fabulosa série da Giselle Monfort, a espiã nua que abalou Paris, que ainda conservo; alguns livros sobre umbanda e candomblé; e muita coisa do Círculo do Livro: Amado, Verissimo, Nelson Rodrigues. Não devo ter feito esta reflexão, na época; mas talvez intuísse que aquelas três ou quatro prateleiras materializavam o traço rebelde da minha personalidade. Meu pai não condescendia que eu experimentasse os prazeres simples da rua, pela mesma razão que via com desconfiança aquele gosto literário "popular", que poderia me afastar da erudição.
Quando ingressei na faculdade de matemática, a noção de que o conhecimento é um bem físico - e cabe numa biblioteca - se manifestou em mim de forma consciente. Meus colegas estudavam em apostilas fotocopiadas. Aquilo, para mim, era inconcebível: eu necessitava de livros, dependia daquele objeto para aprender. Passei, então, a montar algo que não era apenas uma coleção aleatória, mas uma pequena biblioteca pessoal, que obedecia a um plano rigoroso e predeterminado. Podia me orgulhar de ter livros que inclusive não faziam parte da bibliografia. Foi essa uma lição que a biblioteca me ensinou: a busca do conhecimento deve ser feita de maneira independente.
Houve nessa época um caso curioso e decisivo, na minha história de leitor. Meu livro de cálculo diferencial era o de um certo Piskounov, um nome assim. Era uma obra que ninguém possuía. Logo que se espalhou a notícia de que eu estudava cálculo num livro russo, fiquei com um imenso prestígio entre os colegas comunistas; e ganhei de um deles um pequeno volume do poeta Agostinho Neto, o presidente comunista de Angola, que me iniciaria numa das mais importantes aventuras da minha vida: a literatura africana.
Lama
Quando meu pai morreu, eu deveria, naturalmente, herdar a biblioteca; mas uma outra circunstância triste mudou completamente meu destino. Como a casa ficara fechada, uma rachadura no teto permitiu que as chuvas destruíssem praticamente tudo. Nunca esqueci a imagem de toda aquela inteligência transformada em lama. Sabia que o conhecimento era concreto, mas não me dera conta de que fosse perecível.
De toda aquela massa, só consegui salvar um exemplar das poesias completas do Fernando Pessoa. Este livro foi o único objeto pessoal que herdei. Passei a sentir, assim, uma necessidade radical de reconstituir a biblioteca. Não sei se foi isso que me fez decidir voltar à faculdade. Mas, dessa vez, para estudar literatura.
Meu primeiro projeto foi o de ler toda a literatura brasileira. Todos os sábados eu ia ao centro da cidade para pechinchar nos sebos, em todos eles. Talvez já tivesse consciência de sofrer de uma obsessão certamente adquirida em função daquela primeira biblioteca: a de obter um conhecimento que fosse total, absoluto, ainda que num campo específico do saber. O objetivo, na prática, era inalcançável; mas foi essa meta que me fez desenvolver a capacidade de ler tão rápido sem perder a concentração. A frase clássica mens sana in corpore sano, na verdade, é tautológica, porque o cérebro é uma parte do corpo. A leitura, assim, é uma atividade atlética como outra qualquer: exige treino, exige condicionamento físico. Por isso, não há livros difíceis, apenas leitores mal treinados. Embora minha biblioteca continuasse crescendo, percebi que para compreender a essência da literatura brasileira, para obter um conhecimento total sobre ela, seria necessário compará-la a outras. Comecei, então, um processo compulsivo de comprar livros para formar, nessa mesma biblioteca, uma seção com os grandes clássicos universais, muitos dos quais eu conhecera na biblioteca paterna.
Então, aos autores brasileiros se somaram franceses, russos, portugueses, ingleses, italianos, norte-americanos, espanhóis, alemães e o magistral conjunto dos chamados hispano-americanos. Alguns dirão que essa biblioteca não tinha nada de especial, era uma simples coleção de clássicos. Mas havia uma diferença: é que, a partir dos poemas do Agostinho Neto, também passei a ler ? e muito ? os escritores da África. E foi a experiência profunda e original expressa na literatura africana que me fez perceber que os cânones convencionais são o reflexo de uma mentalidade colonial e evolucionista. Assim, para obter o conhecimento total da literatura, era necessário incluir, além dos africanos, o mundo inteiro. E era fundamental estudar as literaturas antigas, clássicas e medievais. Porque a comparação tinha também que se fazer no tempo.
O cúmulo desse processo ocorreu quando constatei que a literatura - aliás, a literariedade é anterior à escrita; e para compreendê-la era necessário conhecer as culturas ágrafas, a mitologia dos povos ditos primitivos. E não bastava o texto dos mitos: tinha que ler também monografias etnográficas que me permitissem interpretá-los.
Desmonte
Minha biblioteca, nessa altura, atingira proporções enormes, borgeanas. Mesmo mantendo um sistema rígido de leitura, concluí que nem em 60 anos eu conseguiria ler todos os meus livros. E foi essa consciência que me fez, de uma hora para outra, simplesmente abdicar da literatura, como objeto de um conhecimento total. E talvez estivesse influenciado por uma estranha descoberta, lida em algum lugar: a de que Borges conservava em casa não muito mais que 500 volumes. Comecei, então, um processo muito mais complexo que o de construir uma biblioteca: o de desmontá-la. Talvez nem todos tenham noção do que significa, para um viciado em livros, reduzir todas as possibilidades de conhecimento (e de prazer) a não muito mais de 4 mil obras. Não vale a pena mencionar detalhes, que seções foram mais ou menos afetadas. Importa é que no fim desse drama consegui tornar a casa transitável, moderar a compulsão e descobrir coisas muito profundas a respeito de mim mesmo.
Primeiro: que o excesso de subjetividade me incomoda, que ainda conservo um certo espírito matemático. Por isso, a grande enxurrada que partiu foi de romances, enquanto permaneceu a maioria dos contistas - que lidam com um gênero mais intelectual.
Segundo: que, embora a ideia de "civilização" pressuponha ou enseje a de "palavra escrita", não tenho por ela, a "civilização", tanto apreço assim. Por isso, não consegui me libertar de nenhum livro de mitologia; concluí, depois de muito tempo, que os grandes feitos literários da humanidade foram alcançados na pré-história.
Terceiro: que sou quase um alienado, que não me interesso por muitos dos problemas do meu tempo. Por isso, conservei as literaturas antigas, clássicas e medievais, em detrimento da modernidade.
Quarto: que não passo de um provinciano. Por isso, mantive intacta a literatura brasileira, não fui capaz de retirar nenhuma obra escrita na minha língua, a língua hegemônica do Brasil, que nenhum acordo ortográfico tornará universal.
Os volumes que saíram da minha casa foram trocados por créditos num elegante sebo do centro do Rio, que dispõe também de um restaurante. Tenho, assim, bebido e petiscado boa parte dos meus antigos livros. Dizem que costumo frequentar o sebo para estar, de alguma forma, perto deles. É uma calúnia. Esses livros não me dão saudade. Vou lá para falar de futebol, beber uma cerveja, cantar sambas antigos. Porque a vida tem outras coisas muito boas.
Alberto Mussa - 03/03/2010
Prosa & Verso - O Globo - 31/10/2009
Não sou capaz de dizer que obra ou que autor inoculou em mim o vício da leitura, porque nasci entre livros, milhares deles. Meu pai tinha estantes espalhadas por várias partes da casa, inclusive na garagem.
A presença da biblioteca, sua imponência concreta, material, sempre me impressionou. Por maiores que fossem minhas divergências com meu pai, eu sabia que aquele era o bem a ser legado. Em toda minha vida, creio que só não fui proibido de mexer nos livros. E isso, naqueles tempos severos, não era pouco. Obviamente, eu tinha títulos só meus, que ocupavam três ou quatro prateleiras: romances policiais e de terror, compartilhados com minha mãe, particularmente os da Agatha Christie; livros comprados em bancas de jornal, como a fabulosa série da Giselle Monfort, a espiã nua que abalou Paris, que ainda conservo; alguns livros sobre umbanda e candomblé; e muita coisa do Círculo do Livro: Amado, Verissimo, Nelson Rodrigues. Não devo ter feito esta reflexão, na época; mas talvez intuísse que aquelas três ou quatro prateleiras materializavam o traço rebelde da minha personalidade. Meu pai não condescendia que eu experimentasse os prazeres simples da rua, pela mesma razão que via com desconfiança aquele gosto literário "popular", que poderia me afastar da erudição.
Quando ingressei na faculdade de matemática, a noção de que o conhecimento é um bem físico - e cabe numa biblioteca - se manifestou em mim de forma consciente. Meus colegas estudavam em apostilas fotocopiadas. Aquilo, para mim, era inconcebível: eu necessitava de livros, dependia daquele objeto para aprender. Passei, então, a montar algo que não era apenas uma coleção aleatória, mas uma pequena biblioteca pessoal, que obedecia a um plano rigoroso e predeterminado. Podia me orgulhar de ter livros que inclusive não faziam parte da bibliografia. Foi essa uma lição que a biblioteca me ensinou: a busca do conhecimento deve ser feita de maneira independente.
Houve nessa época um caso curioso e decisivo, na minha história de leitor. Meu livro de cálculo diferencial era o de um certo Piskounov, um nome assim. Era uma obra que ninguém possuía. Logo que se espalhou a notícia de que eu estudava cálculo num livro russo, fiquei com um imenso prestígio entre os colegas comunistas; e ganhei de um deles um pequeno volume do poeta Agostinho Neto, o presidente comunista de Angola, que me iniciaria numa das mais importantes aventuras da minha vida: a literatura africana.
Lama
Quando meu pai morreu, eu deveria, naturalmente, herdar a biblioteca; mas uma outra circunstância triste mudou completamente meu destino. Como a casa ficara fechada, uma rachadura no teto permitiu que as chuvas destruíssem praticamente tudo. Nunca esqueci a imagem de toda aquela inteligência transformada em lama. Sabia que o conhecimento era concreto, mas não me dera conta de que fosse perecível.
De toda aquela massa, só consegui salvar um exemplar das poesias completas do Fernando Pessoa. Este livro foi o único objeto pessoal que herdei. Passei a sentir, assim, uma necessidade radical de reconstituir a biblioteca. Não sei se foi isso que me fez decidir voltar à faculdade. Mas, dessa vez, para estudar literatura.
Meu primeiro projeto foi o de ler toda a literatura brasileira. Todos os sábados eu ia ao centro da cidade para pechinchar nos sebos, em todos eles. Talvez já tivesse consciência de sofrer de uma obsessão certamente adquirida em função daquela primeira biblioteca: a de obter um conhecimento que fosse total, absoluto, ainda que num campo específico do saber. O objetivo, na prática, era inalcançável; mas foi essa meta que me fez desenvolver a capacidade de ler tão rápido sem perder a concentração. A frase clássica mens sana in corpore sano, na verdade, é tautológica, porque o cérebro é uma parte do corpo. A leitura, assim, é uma atividade atlética como outra qualquer: exige treino, exige condicionamento físico. Por isso, não há livros difíceis, apenas leitores mal treinados. Embora minha biblioteca continuasse crescendo, percebi que para compreender a essência da literatura brasileira, para obter um conhecimento total sobre ela, seria necessário compará-la a outras. Comecei, então, um processo compulsivo de comprar livros para formar, nessa mesma biblioteca, uma seção com os grandes clássicos universais, muitos dos quais eu conhecera na biblioteca paterna.
Então, aos autores brasileiros se somaram franceses, russos, portugueses, ingleses, italianos, norte-americanos, espanhóis, alemães e o magistral conjunto dos chamados hispano-americanos. Alguns dirão que essa biblioteca não tinha nada de especial, era uma simples coleção de clássicos. Mas havia uma diferença: é que, a partir dos poemas do Agostinho Neto, também passei a ler ? e muito ? os escritores da África. E foi a experiência profunda e original expressa na literatura africana que me fez perceber que os cânones convencionais são o reflexo de uma mentalidade colonial e evolucionista. Assim, para obter o conhecimento total da literatura, era necessário incluir, além dos africanos, o mundo inteiro. E era fundamental estudar as literaturas antigas, clássicas e medievais. Porque a comparação tinha também que se fazer no tempo.
O cúmulo desse processo ocorreu quando constatei que a literatura - aliás, a literariedade é anterior à escrita; e para compreendê-la era necessário conhecer as culturas ágrafas, a mitologia dos povos ditos primitivos. E não bastava o texto dos mitos: tinha que ler também monografias etnográficas que me permitissem interpretá-los.
Desmonte
Minha biblioteca, nessa altura, atingira proporções enormes, borgeanas. Mesmo mantendo um sistema rígido de leitura, concluí que nem em 60 anos eu conseguiria ler todos os meus livros. E foi essa consciência que me fez, de uma hora para outra, simplesmente abdicar da literatura, como objeto de um conhecimento total. E talvez estivesse influenciado por uma estranha descoberta, lida em algum lugar: a de que Borges conservava em casa não muito mais que 500 volumes. Comecei, então, um processo muito mais complexo que o de construir uma biblioteca: o de desmontá-la. Talvez nem todos tenham noção do que significa, para um viciado em livros, reduzir todas as possibilidades de conhecimento (e de prazer) a não muito mais de 4 mil obras. Não vale a pena mencionar detalhes, que seções foram mais ou menos afetadas. Importa é que no fim desse drama consegui tornar a casa transitável, moderar a compulsão e descobrir coisas muito profundas a respeito de mim mesmo.
Primeiro: que o excesso de subjetividade me incomoda, que ainda conservo um certo espírito matemático. Por isso, a grande enxurrada que partiu foi de romances, enquanto permaneceu a maioria dos contistas - que lidam com um gênero mais intelectual.
Segundo: que, embora a ideia de "civilização" pressuponha ou enseje a de "palavra escrita", não tenho por ela, a "civilização", tanto apreço assim. Por isso, não consegui me libertar de nenhum livro de mitologia; concluí, depois de muito tempo, que os grandes feitos literários da humanidade foram alcançados na pré-história.
Terceiro: que sou quase um alienado, que não me interesso por muitos dos problemas do meu tempo. Por isso, conservei as literaturas antigas, clássicas e medievais, em detrimento da modernidade.
Quarto: que não passo de um provinciano. Por isso, mantive intacta a literatura brasileira, não fui capaz de retirar nenhuma obra escrita na minha língua, a língua hegemônica do Brasil, que nenhum acordo ortográfico tornará universal.
Os volumes que saíram da minha casa foram trocados por créditos num elegante sebo do centro do Rio, que dispõe também de um restaurante. Tenho, assim, bebido e petiscado boa parte dos meus antigos livros. Dizem que costumo frequentar o sebo para estar, de alguma forma, perto deles. É uma calúnia. Esses livros não me dão saudade. Vou lá para falar de futebol, beber uma cerveja, cantar sambas antigos. Porque a vida tem outras coisas muito boas.
segunda-feira, 28 de março de 2011
FORMAÇÃO CONTINUADA
Já saiu a programação de abril da Estação das Letras.
Lembramos que os professores da rede municipal do Rio têm desconto de 50%. Um mediador especializado deve se preocupar com a formação continuada.
Maiores detalhes no endereço: www.estacaodasletras.com.br
Estação das Letras - Rua Marquês de Abrantes, 177 - Loja 107 e 108 :: Flamengo
Rio de Janeiro - RJ :: CEP: 22230-060 :: Telefone: (21) 3237-3947
Lembramos que os professores da rede municipal do Rio têm desconto de 50%. Um mediador especializado deve se preocupar com a formação continuada.
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